terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Sei que às vezes meu silêncio te incomoda. Ah, e como sei... Mas acontece que nessas vezes meu silêncio é tudo o que sou. O que resta de mim se alguém tirar o pó.
E como dói encarar os olhos vermelhos do espelho e ter certeza que sei mais de ti do que sei de mim mesma...


{Luciana Sousa}
"Os passos que meus pés caminham
Não me levam em nenhuma direção
Não permitem mover-me sobre o chão
As paisagens que meus olhos vêem
São vestígios de uma ilusão"


{Luciana Sousa}

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

"Não se pode abraçar apertado
Uma fumaça, idéia ou ilusão
Não se pode alçar vôo
Sem tirar os pés do chão
Não se pode viver um amor
Sem entregar o coração."

{Luciana Sousa}
"Roubaram-me a visão!
Tiraram de mim o poder de enxergar
Agora, para ver, tateio o chão
Procuro nos cheiros um resto do seu olhar
Um resto de amor e uma canção
Canção que eu, cega, possa dançar."

{Luciana Sousa}
Há vezes que tenho rumo
Mas falta-me os passos
Outras, tantas vezes,
Eu tenho os passos
Mas falta-me o rumo
E é assim que tento caminhar
Hora rápida, certeira;
Hora lenta, indefinida;
Mas como a maré fria
Eu insistentemente
Volto à beijar a praia.

{Luciana Sousa}

dose de ilusão

Uma conversa, uma garrafa
Mais uma dose de alegria
Um momento de fantasia
E a realidade a afastar-se
Uma realidade que não é minha
Que não condiz com o que é meu
Minhas verdades, vaidades
Que nem a mim pertencem
O seu sorriso que é meu
E aparece, só por acaso,
Moldando outra face
Escondendo outras verdades
Nenhuma vaidade que me pertença
E tudo bem!
Se nem minha fé me pertence
E se te uso só como desculpa
Pra mais uma dose
Pra me tirar de uma realidade
Que é sua e não me pertence
Hoje eu quero só a parte boa
Os sorrisos que não me pertencem
A sua fé, que não é minha
A história que você narra
E que eu não faço parte
Hoje eu tenho fé em sua fé.

{Luciana Sousa}
"Perfeição é ver as coisas imperfeitas com olhar de contemplação."

{Luciana Sousa}

Tua Tristeza

"Desfaça-se de tua tristeza
Pois tenho uma proposta
Que a ti vou fazer:
Dá-me, sem reclamar,
A metade de tuas lágrimas
Para, por ti, eu chorar.
Em troca darei-te
Por inteiro o meu sorriso
Só para vê-lo em teu rosto brotar."

{Luciana Sousa}

terça-feira, 19 de outubro de 2010

"E em minhas orações
Há somente uma questão:
-Quanto tempo falta
Até que o próximo anjo
Caia morto no chão?"

{Luciana Sousa}
Desequilíbrio gera movimento!

{Luciana Sousa}

conselhos

Quando uma voz retumba em seus ouvidos
Você deve parar para escutar o que ela diz
E eu também posso ouvir:
'Não pare agora, não desista ainda!
Pois a chuva cessou e o sol vai voltar'
Eu realmente os ouço cantar
E todos temos fraquezas
Mas não podemos deixar que sejam
Mais evidentes do que nossa força
'Precisamos de você para vencer', eles dizem.
E mesmo com lágrimas nos olhos
Sei que é verdade e não posso desistir.
Ás vezes parece que luto para os dois lados
E que nenhum dos dois faz parte de mim
Não sou mais criança, não se preocupe.
Mesmo quando acordo de um pesadelo e choro
Ainda acredito nos sonhos de outras noites.

{Luciana Sousa}

terça-feira, 5 de outubro de 2010

não me deixe

Não me deixe esquecer
O tempo perdido, abandonado
Em um canto do quarto
Um livro empoeirado
Cheio de páginas em branco
Contando alguma história vazia


Não me deixe sozinha
Se o sol desaparecer
Em mais um horizonte preto e branco
Por trás da janela fechada
Ou em um retrato caído


Não me deixe chorar
Por uma dor invencível
Em um canto do quarto
Fechado, preto, branco e vazio


Não me deixe mais
Nem por um segundo
Que sozinha eu não sei quem sou.

{Luciana Sousa}
"Hoje a chuva é a coisa que mais me aproxima de Deus. Talvez amanhã os lírios tenham o mesmo poder, mas não posso me prender ao amanhã, é necessário contemplar a chuva de hoje."

{Luciana Sousa}

paredes

Só as paredes ouvem meu silêncio
E elas compactuam mudas
Sem mudar a minha dor
A diferença entre nossas diferenças
É que você não vê a minha indiferença
E suas mentiras me iludem
Eu vou acreditando em um mundo justo
E é justamente onde tropeço
Mas não há ninguém que me estenda a mão
Que diga que a dor vai passar
Só há suas mentiras
Pintadas em todas as minhas paredes
E o que mais me incomoda
Não é dor nem indiferença
É a tristeza que me bate
Saudade que quase me abate
Pra tentar entender os meus gritos
Só as paredes ouvem meu silêncio.

{Luciana Sousa}
Quero caminhar descalça pelas ruas de pedras, mas as ruas foram feitas para quem usa sapatos e dói meus pés quando os passos são firmes. E os passos incertos me levam à becos, estradas sem saída que me obrigam a voltar; mas não porei sapatos, não vou correr. Vou continuar, espero poder adimirar alguma paisagem.

{Luciana Sousa}

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

"Hoje eu nem sei
Se tem mais alguém aqui.
Agora eu nem mesmo
Consigo me incomodar,
Desde que eu possa
Ficar em silêncio
Ou chorar e gritar,
Se eu quiser.
E, de jeito nenhum
Precise me explicar."

{Luciana Sousa}
"Há vil metal sobre a cômoda
Mural de consternações
Evidências de uma humanidade insana
Recortes dos meus sonhos"


{Luciana Sousa}
"Num misto de suor e lágrimas sei que seguir em frente é a coisa certa, não que seja este o caminho que eu escolhi, mas pela falta de caminhos a escolher. Meus pés seguem lentos pela trilha de migalhas que outros pés fizeram e de migalahas é a existência humana de quem observa o mundo sem ter o mínimo de certeza de que é parte do mundo observado. Existir é o consolo divino dos ignorantes. Não saber viver é uma constante, mas existir é o merecimento de quem abre mão de tentar viver."

{Luciana Sousa}

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Meu medo é crescer demais
E não conseguir sorrir.
Não enxergar as pequenezas
Que tanto acalmam meu coração. Entender as coisas
De uma vez por todas
E deixar de tentar compreendê-las.
O que me acala não é entender,
É buscar os significados,
É simplesmente ir em busca
Atrás das respostas.

{Luciana de Sousa}

domingo, 29 de agosto de 2010

"Lágrima é o sangue que escorre quando se machuca a alma"

{Luciana de Sousa}

domingo, 11 de julho de 2010

escuro horizonte

eu que pensei ter distribuído
tanto de minha luz
vejo agora que ela se apaga
olho o horizonte e a vejo sumindo
é uma luz tênue
e no meio do caminho
a luz vai diminuindo
apagando, mingua na escuridão
no medo e na aflição
na angústia das coisas interminadas


eu que pensei seguir
pelo caminho correto
olho o horizonte
e vejo o caminho acabar
cresce o desespero
que ninguém via em mim
é na aflição e no medo
que está o abrigo mais próximo
a escuridão os cerca
e eu não quero ir.


{Luciana Sousa}

minha hora

Tem tanta coisa que eu ainda não ouvi dizer.
Morte, não me leve ainda. Vamos viver!
Morte, eu não estou pronta pra partir.
Não arrumei as minhas malas;
Nem pus o lixo para fora;
Eu ainda não me despedi da minha família;
Eu ainda não me despedacei,
Por um sonho ou grande amor;
Eu não escrevi um livro, não pisei na lua;
Não vi o meu filho crescer, nem o fim do mundo;
Não escalei uma montanha.
Eu nunca vi um disco voador,
Nem rezei diante ao Papa.
Eu não presenciei um milagre.
Eu nunca deixei de acreditar
Que tudo pode sempre melhorar.
Mas Morte, não me leve daqui!
Não quero dançar a última música com você,
Não quero pensar que o fim veio cedo,
Não quero acreditar que deixarei de existir.
Eu vou viver! Morte, eu não vou com você!


{Luciana Sousa}

sexta-feira, 9 de julho de 2010

Se um grito rompesse em meu peito toda a fragilidade de minh'alma, todos ensurdeceriam ao som de minha voz.

{Luciana Sousa}

sexta-feira, 11 de junho de 2010

melodia da morte

Se o vento chorar em silêncio
Suas lágrimas cairão com dor
O canto tenebroso e silencioso
É também triste e sem fim
O abraço da morte se aproxima
Seus anjos entoam a mesma canção
Seus dedos frios tocam a pele
Que em silêncio pede perdão

A alma que quer seguir a luz
Só enxerga trevas
Os ouvidos não ouvem
E os olhos não poderiam ver
O que está além das trevas
Além do caminho da luz
Ver a própria luz que nasce das trevas
Ver a alma renascer

A noite carrega o meu sorriso
Para um poço profundo
É dentro do escuro e no silêncio
Que encontro o vazio
E se a luz disser-me
Que o amor é em vão
Em vão será amar
A escuridão, o vazio e a luz

Será inútil olhar a noite
Se o brilho da lua
Não fizer parte do vazio
Como é inútil ter alma
Quando está ela presa ao escuro
As trevas dominam meu pesar
E tão pesaroso é ver a luz
E não sentir a alma cantar

Agora, deito-me no véu da noite
Pois é ela que me deixa ver
Que não me nega a luz
Pois é ela que não nega as trevas
E mesmo que os anjos da morte
Continuem a cantar sua melodia
E a vida continue a dançar
Eu não posso nada além de amar

{Luciana Sousa}

um alguém

Preciso de alguém pra
Segurar a minha mão,
Pra me abraçar apertado
E dizer “tudo bem”,
Pra sorrir um riso despreocupado.
Alguém que me faça promessas
Sem medo de não cumprí-las
E que as cumpra por puro prazer.
Preciso de uma voz suave e firme
A me contar histórias felizes
Alguém que carregue sonhos no olhar
Que me traga paz
Mas que não desista de lutar
Preciso de alguém
Com quem eu possa ser sincera
Que não minta para mim,
À não ser que necessário,
Alguém que erre e assuma
Ou capaz de negar sem ferir
Preciso de alguém que, acima de tudo,
Ame incondicionalmente à mim.

{Luciana Sousa}

Droga de Amor

Você é minha droga favorita.
Tornou-se um vício ver-te.
E sou tão dependente
Que chego em casa e,
Não satisfeita do tempo
Em que estivemos juntos,
Necessito ainda ver-te em fotografias.
Amor é uma palavra vaga
Para designar a importância
Que tens para mim.
Quero injetar-me de tua companhia.
Sem abstinências.
{Luciana Sousa}

quarta-feira, 5 de maio de 2010

FINGIMENTO

Você finge que não me vê
E eu finjo que não te quero
E numa vida de fingimento
A gente finge até ser sincero
Finge estar smpre correto
E sempre ter razão

Finge que é Deus
E que não existem leis
Finge ter soldados e escravos
E mandar até em reis

Finge que tem dinheiro
E que está sempre a sorrir
Mas eu te vi num canto
Sozinho, no sofá vazio
Chorando escondido no escuro

De nada vale viver fingindo
E não saber sentir
Nem Deus, nem soldados
Nem escravos e nem reis

Ninguém finge ser feliz sempre
Ninguém sorri quando só quer
Deixar as lágrimas caírem.

{Luciana Sousa}

BONECA DE CERA

Seus olhos verdes de boneca de cera
Me olhando sempre com desdém
Não entende as minhas lágrimas
Não responde à meu sorriso
Sequer enxerga as minhas feições.
Sua boca vermelha de boneca de cera
Não responde às minhas questões
Não corresponde aos meus beijos
Não questiona meus movimentos
Sua pele branca de boneca de cera
Não esquenta aos meus toques
Não percebe meus afetos
Não sente os meus carinhos
Ah, boneca de cera
Seja um dia mulher
Pra permitir-se sentir.


{Luciana Sousa}

sexta-feira, 23 de abril de 2010

só mais alguém

Preciso de alegrias maiores
E de amores melhores.
Preciso de coisas recicláveis,
De situações mais sustentáveis.


Preciso morrer e nascer novamente
A vida se tornou repetida.
Preciso de uma nova mente,
Uma idéia menos dita.


Preciso pensar que exista uma razão.
Preciso acreditar que ainda resista uma amoção.
Preciso deixar que as lágrimas caiam.
Preciso deixar que os sentimentos saiam.


Preciso de paz
E de um lugar pra descansar.
Preciso do caos
E de algo pra admirar.


Preciso do mal
E preciso do bem.
Preciso deixar
De ser só mais alguém.

{Luciana Sousa}
"Sentir falta é, apesar das consequências, ter gravado na memória que os riscos valeram a pena."


{Luciana Sousa}
"Porque às vezes abrimos mão do que nos é mais importante. Apenas por migalhas."


{Luciana Sousa}

Cigarro no Chão

"Os frios precisando se apaixonar.
Em desertos fazer rios transbordar.
Sonhar! Sonhar!
É o que eu preciso,
Uma razão para sonhar.
E acordar por poucos segundos
É sentir o peito não se levantar.
Saber que não há respiração.
No fundo do peito imóvel
Só há medo.
Morreu de medo.
Medo do sol e de cegar.
Medo de viver como não se há.
E havia ainda em seu peito
Um coração cheio de dor.
Havia nos olhos tristezas
E na mão somente um cúmplice;
O vestígio do crime perfeito,
Um cigarro que ainda aceso
Queimava no chão."

{Luciana Sousa}

quarta-feira, 3 de março de 2010

Meninice

Eu quero ser sempre menina!
Aquela mesma menina que te fez sorrir.
E ser somente uma menina
Que ainda não sabe da vida, como ela é.
Apesar das rugas e dos cabelos brancos,
Não sei quem veste esse corpo,
Quem nunca vai se despir
Da própria história,
Dos caminhos percorridos,
Da pressa, da ausência,
Das coisas humanas
Que nunca entendemos.
As futilidades que um dia
Acabamos por esquecer.
Ah, e não me tirem
A minha meninice!
Talvez, seja somente ela o que me resta.
A única coisa realmente minha
Não ousem desfazer-se dela por mim.

{Luciana Sousa}

Plenamente

-Por que estar com você é tão bom?
Porque somos amigos
E estar com os amigos basta
Para termos uma vida plena.
Sorrir se torna fácil
Mesmo quando somos assolados
Por grandes tristezas.
Com você, não existem problemas.
Podemos estar a pé,
Descalços, desarrumados,
Ser desajeitados... E tudo bem.
Pode fazer chuva ou sol,
Ser um dia quente
Pra tomarmos sorvete
Ou um dia bem frio
Pra se trancar em casa,
Comer pizza e ver um filme.
Ou podemos simplesmente,
Conversar sentados na calçada.
Porque não é programa
Que torna tudo especial
Mas as pessoas que estão nele
E que fazem parte de nós.
Ter amigos basta
Para se ter uma vida plena.

{Luciana Sousa}

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

As Coisas Perfeitas

Eu admiro as coisas incorretas
As pessoas incompletas
As formas mais complexas
De amar e de viver
Como a gente espera sempre ser
A mentira que não vai acontecer


As coisas belas já tão feias
E as velhas, cheias de teias
Homens lendo jornais
Tentando serem normais
Fazendo tudo que é banal
Lutando sempre contra o mal.


As pessoas tentando vencer
Tudo que possa ser melhor
Do que aquele que já tem poder
Querendo que nada mude
Que hajam teias e não feias
E que flores sempre sejam belas.

{Luciana Sousa}

Um menino

Ainda uma criança
Tanta vida pra viver
Não tinha aprendido
Tudo o que queria saber


O vinho marcou o caminho
E a senhora da foice
Veio bem cedo buscar
O menino que não escolheu partir


As rosas vermelhas
Fizeram um tapete na rua
Suas lágrimas de criança
Apagaram a chama da esperança


De sengue é o gosto do vinho
As roupas e a mão
Manchadas pelo espinho
Que atravessou o coração.

{Luciana Sousa}
"...
Sei que a tempestade que cai é forte.
Ouço os trovões e raios riscam o céu.
Mas ainda assim vislumbro um arco-íris
Que, colorido, se desenha na imensidão.


Há vozes dizendo que o sol virá
Eu as ouço e até quero acreditar
Mas fantasmas assombram meus sonhos
E sem sonho não se pode acordar.

..."

{Luciana Sousa}

SEMPRE É TEMPO

Sempre é tempo
De fazer valer
Uma palavra ou promessa
Um carinho ou afeto

Sempre é tempo
De fazer valer
Um gesto e um amor
Sempre é tempo
De fazer valer a vida

Sempre há tempo de viver
E agora a brincadeira
É pra valer
E eu adoro
Nossa brincadeira de viver.

{Luciana Sousa}
Me vi fraca, me vi cansada.
Frágil como a xícara que atiro
Pra me livrar do peso vão
Das palavras mortas que guardei.

{Luciana Sousa}

AOS AMIGOS

"...
Mas sempre acaba a noite
A semana passa
A dose acaba
E eu me vejo só
E no fundo, me sinto só
Porque ninguém volta pra casa comigo
Porque caminho e só ouço meus passos
Mas quando lembro de tudo
Percebo que você
Sempre esteve ao meu lado
E que eu ainda te carrego
Como uma foto no bolso
Como uma lembrança boa
Como um passado que não passa
E é sempre do mesmo jeito
Que descubro que vale a pena viver
Quando se tem um amigo,
Alguém, que mesmo longe,
Caminha com você.

{Luciana Sousa}

Carta

"Esta noite eu escrevi uma carta
Me despedindo das pessoas que eu amava
Procurei entre os livros uma palavra
E só achei no escuro
O vazio em que eu me encontrava

Esta noite chorei todas as lágrimas
Traduzi em letras o que pensava
Fui submissa a tudo que me cercava
Eu agora me percebi
Como nunca, uma pessoa fraca

Esta noite joguei fora os meus sonhos
Me fantasiei pra não mais ser eu
Eu me esqueci das minhas promessas
De ser gente, ser boa, ser humana
Me rasguei tentando me re-escrever"



{Luciana Sousa}

Minha Inspiração

Se amar fosse como escrever um livro
Você seria as páginas em branco
Um vazio onde eu poria meu amor
Linhas onde eu poria minhas palavras

Todas as minhas emoções seriam suas
Sua pele estaria coberta de desenhos
Seu sorriso seria a capa
E seus olhos, onde tudo terminaria

Estudá-lo seria meu maior prazer
Faria mapas em seu corpo
E jamais me perderia em suas curvas
Teria decorado todos os seus caminhos

Todos os dias antes de dormir
Muitas de suas frases eu leria
E sua boca seria o poço
Pelo qual, sem medo, me jogaria

Sua voz recitaria meus poemas
Suas mãos guiariam-me por novas páginas
Seu cheiro seria minha inspiração
E seu gosto, mera distração.


{Luciana Sousa}

domingo, 24 de janeiro de 2010

O vento levou meus amigos! Levou-os para tão longe que não consigo encontrá-los. Perguntei-me quando é que eles estiveram aqui e, de repente, percebi que não me lembro. Os busquei dentro da memória, talvez tivessem sido deixados ali, mas... Também não estavam lá. Nem vestígios deles.
De repente não sei mais se eu estava dentro do trem quando ele partiu da estação. Oh, por que não me lembro daquelas pessoas que... que o que mesmo? ... Sempre tive certeza de que estavam aqui. Talvez ainda estejam... Talvez ali! Nada. Mas, que lugar é esse? Será que eu estava aqui? Não! Não pode ser... Eu me lembraria de alguma coisa... Ah, e agora?Se eu não estive sempre aqui, então eles não vão me encontrar quando voltarem...
Espera! Eles devem voltar logo, e não vão me encontrar. Acharão que os deixei, em algum momento. Momento... Tempo... Que horas são? Ei, há quanto tempo estou aqui? Oh, por favor... Me esquecerão quando pensarem que eu os esqueci. E vão pensar. Oras, pois se eu sumi desse jeito. Mas, que jeito? Eu não sumi! Continuo aqui, no mesmo lugar! Na mesma estação... Ah, é isso! Eu fiquei na estação. Então, será que eles foram sem mim? Ou ainda não chegaram? Vou esperá-los!!
{Luciana Sousa}
"Será que se eu fingir
Que não existo, possa
De fato, não existir?"

{Luciana Sousa}
Dizem que tenho problemas.
Só por fazer com a vida, poemas.
Por esquecer a hipocrisia
E fazer do mundo, poesia.
Fingir não sentir dor
Mentindo o que outro poeta falou.

{Luciana Sousa}

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

O Meu "Pai Nosso"

Ah, meu Deus, te dizem tão sábio e tão bom e mesmo assim você permite que minha vida seja assim, como é.
Oh, se fosses mesmo Pai Nosso não deixaria as crianças morrerem de fome. Se és Pai e se tem todo esse poder então respondá-me: por quê? Por que quando ando nas ruas há pessoas jogadas na calçada suja me pedindo uma moeda? Uma moeda, Pai? O que é uma moeda? Me desespero quando penso que é possível, que é verdade que em um mundo desse tamanho, enorme como ele é, ainda haja gente que não tem onde morar. Mas como, Pai? Se então falta-nos terra para construir nossas casas, vamos fazê-las no mar. Oras, e não aceito quando dizem que isto é devido ao livre arbítrio. Que Pai tão bom és tu que deixa teus jovens filhos livres para ter as drogas como amigo? Não Pai. Não posso aceitar. E ouvi dizer, Pai, um moço na rua me disse, que todos os que se arrependeis terão o perdão. Todos, Pai? Então, de que me vale ser bom? De que me vale pagar pelo pão ao invés de levá-lo sem permissão?
E aquele cara, Pai? Aquele que eu vi na televisão, que estuprou a namorada, matou a mãe e o irmão e agora grita em sua cela pedindo perdão. Aquele cara terá perdão, Pai? Igual a mim e a tantos outros que não precisam roubar para ter o dinheiro do pão? E há diferença, Pai, em quem rouba um banco ou a moeda para comprar seu pão?
Oh, Pai nosso... Por que permites que pessoas como eu pensem nessas coisas? Não percebe, Pai? Se penso nisso deixo de acreditar em seu poder. Deixo de lado a fé e a crença de que és tão bom assim...
Porque não aceito, Pai! E um bebê, lá tem livre arbítrio? E a vítima de bala perdida escolheu estar ali? Ou somos culpados um pelo livre arbítrio de todos os outros?
Oh, Pai, fale comigo! Diga-me que em muito me engano! Diga-me, faça-me acreditar que ninguém morre de tanto apanhar, nem de bala perdida, nem de fome, nem de pressa pra atravessar a rua e nem de demora pra passar! Vai, Pai, vou facilitar, basta uma única palavra e novamente passarei a acreditar! Não queres mais um crente em ti, Pai? Não queres mais um filho teu a orar?
Que seja feita Vossa vontade, Pai! E que vontade é essa? Do que é que falamos com tanto louvor? Pai, todos esses filhos que chamam por seu nome acreditam no Senhor?
Ah, meu Pai, se tudo é Vossa vontade e se ela permanece tanto na terra quanto no céu, por que nem todos recebeis o pão Vosso de cada dia, pai? Eles também tem fome e mesmo assim o Senhor escolhe quais de Vossos filhos receberão o pão nosso de cada dia... De nenhum dia...
O Senhor perdoa todos, Pai? Me perdoará por todas essas palavras ofensivas que a escola não me ensinou a escrever? Todos terão perdão, Pai? Ou apenas os mesmos que recebem o pão Vosso de cada dia?
Pai, todo poderoso, Pai, és tu que nos livrará de todo o mal? E quando começarás? Não percebe que o mal já está aqui? Mata nossos bebês e estupra nossas mulheres, ou isso não é mal, Pai? Ou não é tão mal assim...
Oh, Pai, lamento não ter-lhe aqui comigo todos os dias para me dar alento e proteger-me de todos esses males que penso que existem, mas acho que já nasci órfã... de Pai!

{Luciana Sousa}