terça-feira, 3 de janeiro de 2012

'Você grita e rompe o silêncio
Pra me fazer aceitar o que diz.
Eu concordo com o silêncio
Pra te fazer acreditar no que sinto.'

{Luciana Sousa}
"Não sou nada se não a tentativa de ser algo que ainda não sou."
{Luciana Sousa}

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

VELHO QUADRO

Eu sou o quadro sujo
Pendurado em sua parede
Ou sem moldura e velho
Escondido em um baú

Você mal olha o meu desenho,
Me pendura na parede do porão.
Não tenho traços perfeitos
E meu autor nem é famoso.

Mas como todo bom quadro
Para muitos admiradores
Tenho valor inestimado
E só estou na parede errada.

A minha moldura está gasta e quebrada,
Minhas cores desbotadas;
Muitos tentam tirar minhas manchas
E poucos são os que entendem minhas marcas.

Mas se tirassem do próprio rosto
A poeira que pesa nos olhos
Veriam perfeitamente e amor teriam
Pela minha figura imperfeita.

{Luciana Sousa}

sábado, 3 de setembro de 2011

UMAS EXPLICAÇÕES

Galera, mudei o aspecto do blog por motivos estético e para facilitação, tanto da leitura, quanto de minha organização (que não tenho muita) para as postagens. Também arrumei a opção de comentários que no blog anterior não estava funcionando. Obrigada à todos pelas leituras e pela paciência de ler meus rabiscos... =D
Luciana Sousa

domingo, 17 de julho de 2011

quando estrelas se esquecem de brilhar

Quando estrelas se esquecem de brilhar
E eu fico perdida, procurando a sua luz
Algo sutil que possa me guiar.
Olho pro mar e vejo ainda seu reflexo,
Um brilho, algo a me puxar;
Sempre na mesma direção,
Sempre um barco sem mar;
O brinco perdido de um par,
Um dançarino no salão sem dançar.
Hoje sou todo esse nada.
A chuva que não consegue molhar,
Fogo, incapaz de queimar.
E amanhã, o nada que sou
Será ainda maior.

{Luciana Sousa}
Morrer é uma indescência. Você está ali, bem, e de repente, como num passe de mágicas, você não existe mais. Deus desligou o programa de TV em que você era o astro. E tudo que foi seu agora não pertence à ninguém. Teus segredos são revelados sem qualquer pudor. Tuas intimidades violadas sem nenhuma cerimônia. E aquela roupa nova, guardada pra festa de sábado, continuará no armário com todos os trapos que já tem até o seu cheiro. Morrer é uma indecência!

{Luciana Sousa}
Meu coração se quebraria
Se já não fosse pó.
Se não fosse tudo vaidade
De um alguém qualquer
Que não sabe o que é ser só.
Um pássaro sem suas asas
E doido pra voar
É o que vejo no espelho.
E as lágrimas são fumaça,
A poeira das minhas emoções.
Por que dizer adeus é preciso?
Quem foi o tolo á dizer isso?
Quem não sente partir a alma
Todos os dias de manhã;
Quem não sente o ardor na garganta;
Quem não sente saudades
Do seu alguém amado.
Alguns dias me parece
Que o céu está de luto,
Olho pra cima e é tudo escuro
E no horizonte só há fumaça.
O que há para mim, então?
Saudade, saudade, saudade
Não sei explicar, só posso sentir.

{Luciana Sousa}

SOBRETUDO

Esse silêncio todo me atordoa. Acostumei-me com as bombas e os tambores e agora é de noite, não há luzes, não há vozes. Só trovões que me assustam e depois o silêncio que é onde e quando tudo pode acontecer. Quero tua voz, nem que seja para dizer que eu não presto. Quero teu sorriso, mesmo que de longe, mesmo que não seja para mim. Quero olhar-te. Quero ter certeza de ti. Quero o impossível: juntar-me novamente à tua presença. E as perguntas? Tanta coisa à ser respondida, tantos mistérios que não vamos mais sondar. Caminhos imaginados por onde não podemos mais andar. E o que há de ser de mim sem teu colo, sem o refúgio dos teus braços para esconder-me? Poeira. É o que há sobre tudo. É o que somos, sobretudo.

{Luciana Sousa}

quinta-feira, 23 de junho de 2011

Às vezes penso que meus olhos ainda estão fechados pela embriagues da noite anterior, mas eles não estão e dizer que sim seria uma mentira, ou talvez uma verdade inventada, como diria certa Clarice. Sabe, acho que quanto mais coisas fazemos menos conseguimos perceber o "tic-taquear" lento do relógio. Hoje abateu-se sobre mim uma profunda melancolia; eu ia usar a palavra tristeza, mas ela parece tão desgastada por coisas desimportantes que não soa mais adequada. Como dizia, hoje estou profundamente melancólica, eu sou uma pessoa difícil de se conviver; uns dias atrás uma amiga perguntou-me se eu acredito nas pessoas. Naquele momento não tive dúvidas, lógico que acredito, foi minha resposta, mas é que hoje essa resposta parece tão distante da verdade. Eu tenho um jeito estranho de acreditar porque de repente desacredito de tudo e num novo de repente volto a acreditar. Às vezes penso que devo ter uma dupla personalidade, deve ser o efeito de falar de mim mesma na terceira pessoa; como se eu fosse aquela que me olha de dentro do espelho ou que lê as palavras que minhas mãos escreveram, porque depois que escrevo nem parece mais que fui eu quem escreveu. Talvez eu não devesse mais assinar o que escrevo. Vai que a moça que mora dentro do espelho decide cobrar-me pelas palavras que ela pensa e minhas mãos escrevem. [...]


{Luciana Sousa}

quarta-feira, 25 de maio de 2011

Agora fica o silêncio pela casa,
Uma cadeira e sua poltrona, vazias.
O fantasma do seu riso.
Mas fica ainda um pedaço de você
Fica a parte mais bonita de viver.
A fotografia de um dia no parque,
O que a gente pode pintar de você.
É a melhor parte de nós
E o que ainda vamos ser.
Tua lembrança, o que sempre vamos ter.

{Luciana Sousa}

sábado, 14 de maio de 2011

castelo

Ei! É você mesmo que estou chamando. Quer conhecer meu castelo? Ele tem muitas portas e janelas. Tem muitas salas diferentes e moram muitas pessoas dentro dele, mas é bem grande e cabe todo mundo, sem problemas; é um pouquinho bagunçado, tudo bem? Meu castelo fica bem perto daqui, eu nunca vou pra muito longe dele, embora às vezes, quando me dou conta estou distante e volto correndo. Tem até algumas goteiras lá, mas é bem aconchegante e a vista... ah, a vista, você vai se apaixonar pela vista. E tem também um jardim, grande e florido. O jardim é visitado por todos que moram no castelo e cada um, da sua maneira, cuida dele, é isso que o torna tão especial. O sorriso no rosto de quem o olha é adubo que faz florescer até as flores que se achavam mortas.
Bom, Se você quiser conhecer o meu castelo eu te levo lá, só que o muro é um pouco alto, então, vamos ter que pular, tudo bem pra você? Ah, já ia me esquecendo, meu castelo se chama Coração.

{Luciana Sousa}

saudade

saudade é aquele veneno
que vai comendo o coração,
é brasa ardendo no peito
onde o fogo já queimou.

saudade é só de quem já amou,
mas não pertence à ninguém.
só quem sente sabe da dor,
do arder depois que o fogo apagou.

mas saudade de verdade
que a gente sente bem forte
é só por algo que nos foi tirado
e sentido arder ainda mais forte.

saudade é um membro amputado,
o olho cego de um par,
é o barco perdido no mar,
um pedaço de coração cortado.

{Luciana Sousa}