quarta-feira, 25 de maio de 2011

Agora fica o silêncio pela casa,
Uma cadeira e sua poltrona, vazias.
O fantasma do seu riso.
Mas fica ainda um pedaço de você
Fica a parte mais bonita de viver.
A fotografia de um dia no parque,
O que a gente pode pintar de você.
É a melhor parte de nós
E o que ainda vamos ser.
Tua lembrança, o que sempre vamos ter.

{Luciana Sousa}

sábado, 14 de maio de 2011

castelo

Ei! É você mesmo que estou chamando. Quer conhecer meu castelo? Ele tem muitas portas e janelas. Tem muitas salas diferentes e moram muitas pessoas dentro dele, mas é bem grande e cabe todo mundo, sem problemas; é um pouquinho bagunçado, tudo bem? Meu castelo fica bem perto daqui, eu nunca vou pra muito longe dele, embora às vezes, quando me dou conta estou distante e volto correndo. Tem até algumas goteiras lá, mas é bem aconchegante e a vista... ah, a vista, você vai se apaixonar pela vista. E tem também um jardim, grande e florido. O jardim é visitado por todos que moram no castelo e cada um, da sua maneira, cuida dele, é isso que o torna tão especial. O sorriso no rosto de quem o olha é adubo que faz florescer até as flores que se achavam mortas.
Bom, Se você quiser conhecer o meu castelo eu te levo lá, só que o muro é um pouco alto, então, vamos ter que pular, tudo bem pra você? Ah, já ia me esquecendo, meu castelo se chama Coração.

{Luciana Sousa}

saudade

saudade é aquele veneno
que vai comendo o coração,
é brasa ardendo no peito
onde o fogo já queimou.

saudade é só de quem já amou,
mas não pertence à ninguém.
só quem sente sabe da dor,
do arder depois que o fogo apagou.

mas saudade de verdade
que a gente sente bem forte
é só por algo que nos foi tirado
e sentido arder ainda mais forte.

saudade é um membro amputado,
o olho cego de um par,
é o barco perdido no mar,
um pedaço de coração cortado.

{Luciana Sousa}

sábado, 7 de maio de 2011

E abraçar seu corpo frio
Me faz, por um instante,
Acreditar que você vai voltar;
Que vai voltar pra mim.
Mera ilusão de quem ama.
Ama no presente um passado.
Faz surgir uma centelha de esperança
No abismo do vazio que me deixei
Pode parecer, mas sofrer
Não é mais escolha;
Acho até que já me acostumei.
Me acostumei a te esperar
Com o coração ainda quente,
Segurando suas mãos frias
Congeladas em uma fotografia,
Tão frias como o adeus
Ainda preso em nossas gargantas
Mais umas palavras que restaram sobre a mesa.
Coisas a d
izer, jamais serão ditas.

{Luciana Sousa
}